A ex-deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) e ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo em 2021 – Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Dois ex-integrantes do alto escalão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) avançaram em negociações de delação premiada no âmbito das investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias. Segundo apuração divulgada pela coluna da jornalista Andreza Matais, os ex-dirigentes teriam citado o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de políticos ligados ao Centrão.
Os delatores são o ex-procurador do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis. Ambos estão presos desde 13 de novembro, por decisão judicial no contexto da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
Entre os nomes mencionados estaria o da ex-ministra Flávia Arruda, que comandou a Secretaria de Relações Institucionais durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, é a primeira vez que o nome da parlamentar aparece vinculado ao caso.
Valores milionários sob investigação
De acordo com a Polícia Federal, Virgílio Filho teria recebido R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a entidades responsáveis por descontos considerados irregulares em benefícios previdenciários. Parte dos valores — cerca de R$ 7,5 milhões — teria origem em empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Os investigadores apontam que os recursos teriam sido direcionados a contas e empresas em nome da esposa do ex-procurador, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson, que também foi presa.
Já André Fidelis é suspeito de ter recebido R$ 3,4 milhões entre 2023 e 2024 para viabilizar descontos automáticos nas folhas de pagamento de aposentados.
Expansão do esquema
Relatório citado pelo deputado Alfredo Gaspar(União-AL), relator da CPMI do INSS, indica que, durante a gestão de Fidelis, 14 entidades foram habilitadas por meio de Acordos de Cooperação Técnica, que teriam permitido descontos que somam R$ 1,6 bilhão.
As investigações também apuram evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos declarados pelos envolvidos.
Defesas negam irregularidades
A defesa de Virgílio Oliveira Filho nega que haja delação formalizada até o momento. A reportagem informa que tenta contato com os advogados de André Fidelis. Os citados na investigação ainda não se manifestaram publicamente sobre as acusações.
O caso segue sob apuração e pode ter novos desdobramentos nas próximas semanas, a depender do avanço das negociações de colaboração premiada e da análise do Ministério Público.



